terça-feira, 6 de julho de 2010

AULA

INDÚSTRIA CULTURAL
Quando se fala em Indústria Cultural, é importante destacar que ela é fruto de uma sociedade capitalista industrializada, onde até mesmo a cultura é vista como produto a ser comercializado. Mas o que é Indústria Cultural? Podemos dizer que é tudo o que é produzido pelo sistema industrializado de produção cultural (TV, rádio, jornal, revistas, etc.) elaborado de forma a influenciar, aumentar o consumo, transformar hábitos, educar, informar, pretendendo-se ainda, em alguns casos ser capaz de atingir a sociedade como todo.
Assim, cada vez mais, a máquina da Indústria Cultural, ao preferir a eficácia dos seus produtos, determina o consumo dos mesmo e exclui tudo o que é novo, tudo o que ela configura como risco. A identidade do domínio que a indústria cultura exerce sobre os indivíduos, aquilo que ela oferece de continuamente novo não é mais do que a representação, sob formas diferentes, de algo que é sempre igual; a mudança oculta um esqueleto, no qual muda tão pouco com no próprio conceito de lucro, deste que este adquiriu o predomínio sobre a cultura.
Com seus produtos, a Indústria Cultural pratica o reforço das normas sociais, repetidas vezes até a exaustão, sem discussão. Ela fabrica seus produtos com a finalidade de: a) serem trocados por moeda, b) promover a deturpação e a degradação do gosto popular, c) obter uma atitude sempre passiva do consumidor simplificando ao máximo seus produtos. Eles são construídos propositadamente para um consumo descontraído, não comprometedor. Segundo Adorno (1944) Cada um desses produtos reflete o mecanismo econômico que domina o tempo do trabalho e o tempo do lazer.
O consumo desses produtos, pode levar à alienação/revelação, entendido como um processo no qual o indivíduo é levado a não meditar sobre si mesmo e sobre a totalidade do meio social a seu redor, transformando-o com isso em mero joguete e, afinal, em simples produto para alimentar o sistema que o envolve.
Os conteúdos veiculados pela indústria cultural, são objetos de análise de muitos estudiosos, que dizem que os produtos da Indústria Cultural serão bons ou maus, alienantes ou reveladores, conforme a mensagem por eles vinculada. Com efeito, a mensagem oculta pode ser mais importante do que a que se vê, já que aquela escapa ao controle da consciência, não será impedida. Sendo assim, não está impedida pelas resistências psicológicas aos consumos e penetra provavelmente no inconsciente dos espectadores.
Neste momento, vale destacar a importância do fascinante mundo publicitário para a afirmação, manutenção e sobrevivência da Indústria Cultural. Este é um outro mundo que nos é mostrado dentro de cada anúncio, onde produtos são sedimentos e a morte não existe. É parecido com a vida e, no entanto, completamente diferente, posto que é sempre bem sucedido. Nele não habitam a dor, a miséria, a angústia e onde existem seres vivos mas, paradoxalmente, dele se ausenta a fragilidade humana. Um mundo nem enganoso nem verdadeiro, simplesmente um mundo “mágico”.
A função manifesta da publicidade é aquela de “vender um produto”, “aumentar o consumo” e “abrir mercados”. Se compararmos ao fenômeno do “consumo de anúncios” e o de “produtos”, podemos perceber que o volume de “consumo” implicado no primeiro é infinitamente superior ao do segundo. Em cada anúncio “vende-se” estilo de vida, sensações, visões de mundo, relações humanas, sistemas de classificação, hierarquia, etc, em quantidades significativamente maiores que geladeiras, roupas ou cigarros.
No entanto, a recepção e a apropriação dos produtos da mídia são processos sociais complexos em que indivíduos – interagindo com outros e também com os personagens retratados nos programas dão sentido às mensagens de uma forma ativa, as adotam com atitudes diversas e as usam diferentemente no cursos de suas vidas. Simplesmente não é

possível inferir, das características das mensagens da mídia consideradas em si mesmas, os variados aspectos dos processos de recepção.
Os programas feitos pelo sistema de televisão comercial inevitavelmente veicularão valores do consumismo, tanto nos programas em si quanto na propaganda, que constitui a base financeira do sistema. O modo de recepção pela TV é coletivizante, ao contrário do que ocorre no processo de leitura, experiência individual por excelência. De fato, a TV não permite um ponto de vista exatamente privado sobre as coisas. Nem permite, à primeira vista, o não-envolvimento com o assunto abordado: por exemplo, uma coisa é ler no jornal que “foram fuzilados quinze revolucionários e outra bem diferente é ver na tela da TV, em nossa casa, pessoas vivas também para trás sob o impacto das balas estraçalhantes, enquanto os membros do pelotão de fuzilamento gritam de satisfação.”

INDÚSTRIA CULTURAL NO BRASIL
Ela apresenta-se marcada pelos traços mais evidentes e grotescos do comercialismo em particular e do capitalismo em geral. Os poucos veículos de massa subtraídos ao mercantilismo, se caracterizam pela existência de estímulos à atividade crítica. Nossa indústria cultural está bastante voltada para temas, assuntos e culturas estrangeiras, particularmente a norte-americana. No rádio, são as músicas estrangeiras: na TV, os “enlatados” e, na imprensa escrita, as notícias sobre o exterior são veiculadas com grande destaque, enquanto que as nacionais são, em alguns casos, banalizadas.
Ainda assim, apresenta fatias mais populares, ou popularescas, e fatias mais eruditas, ou “erudicizantes”. De um lado, na TV, são programas como do “Sílvio Santos, Mega Tom, Bolinha, Raul Gil”; e de outro, os Concertos Internacionais e os raros programas de entrevistas ou debates, além dos sempre abordados e eternamente retomados “Teatros na TV”. Podemos observar ainda que nossa a indústria cultural é, basicamente, a indústria do divertimento, da distração, e não da reflexão sobre o que acontece na vida diária.
Nos dias atuais, com a globalização da comunicação, não se elimina o caráter localizado da apropriação das mensagens, mas cria-se um novo tipo de eixo simbólico no mundo moderno, sendo estes a difusão globalizada de mensagens e as diversas formas de apropriação localizada.
Todos esses aspectos que envolvem o ambiente da Indústria Cultural dos últimos tempos, tem sofrido contínuas transformações. Em parte isto é o resultado da intensificação de processos iniciados recentemente: o crescimento de conglomerados da comunicação continua a propagar suas atividades predatórias e o aprofundamento dos processos de globalização, aproximando as partes mais distantes do globo por meio de teias de interdependência comunicativa.
Mas o que é fundamental no problema da comunicação e da Indústria Cultural não está nem na questão quantitativa, nem na questão da natureza ou conteúdo das mensagens divulgadas, mas na estrutura mental e psíquica dos indivíduos receptores dessas informações.
Nosso objetivo, com este trabalho que é se estimule nossa capacidade crítica para que possamos fazer uma discussão sobre alguns temas específicos, analisando a atuação dessa indústria cultural e detectando como tem sido sua atuação e presença no mundo atual. A seguir, vejamos os temas escolhidos e o que cada um propõe para ser debatido e estudado:


PERSONALIDADES
As grandes estrelas são chamadas por Edgar Morin (1975) de Olimpianos. Estão entre o imaginário e o real, ao mesmo tempo humanos e divinos. São vedetes da cultura de massa que explora o lado humano delas, através da sua vida privado e o lado sobre humano, através dos papeis que encarnam.
A publicidade é quem mais explora o lado sobre humano das estrelas. Ao perceber que elas se tornaram modelos de beleza, os publicitários se utilizaram dessa características para vender vários prudutos. As estrelas são divinizadas, mais que objetos de admiração, se tornaram modelos culturais. A cultura de massa tende a cristalizar esses modelos e derrubar os antigos.
Vivemos cercados de mitos e ilusões criados pela cultura dos olimpianos. A função de um certo tipo de espelho é cada vez mais gritante no mundo atual. Os “nossos” espelhos refletindo modelos, estilos de vida e amor.

RELIGIÃO
A religião absorvida pela Indústria Cultural se dá em conseqüência da ampliação dessa indústria a todos os valores culturais e de uma maior homogeneização dos bens e de sua produção em série.
A exploração comercial de produtos religiosos reforça a dominação técnica dos meios de produção de massa (TVs, rádios, jornais, revistas, internet, etc.), descaracterizando de certa forma seu sentido religioso que passa a ser mercadoria.
A comercialização desses produtos é moldada para agradar aos padrões da massa. Estes produtos poder ser terços, imagens de santos, água benta ou o próprio líder religioso, consumido em programas de auditório ou showmícios.

TV BRASILEIRA
A indústria da TV brasileira hoje é poderosa, capaz de estimular o desejo, ditar comportamentos, moda e estilo de vida. Ela trabalha no intuito de vender seus produtos, associando-se aos artistas famosos e aos momentos “maravilhosos” de uma novela: uma roupa bonita usada pela atriz da novela das 8, o sapato do galã apresentador de um programa. Tudo é meticulosamente preparado para o sonho do telespectador.
Assim, milhares de produtos são adquiridos pelos consumidores, que desejam poder se identificar com o seu ídolo que propagandeou o produto, sem que possa ter tempo de refletir sobre essa manipulação da indústria cultural na TV.
Nossa página, irá mostrar os programas produzidos principalmente pela famosa TV Tupi, colocando como eles são produzidos e qual a finalidade ou o resultado obtido por eles com relação à receptividade do espectador. Também abordaremos princípios que norteiam essa receptividade. E, finalizando, relataremos um pouco sobre a vida de Assis Chateubriand, que foi o criador e dono da TV Tupi e de Flávio Cavalcanti, famoso apresentador de programas de sucesso dessa mesma emissora.



VIOLÊNCIA
Os meios de comunicação são um espelho da realidade, portanto, a violência apresentada é somente um reflexo do meio social em que a mídia está inserida – TV, jogos eletrônicos, filmes, etc.
No Brasil, para a maioria, as metrópolis são o cenário para a violência urbana, que é causada por entre outros motivos, pelo desemprego, baixos salários e o aumento do número de miseráveis.

ESPORTE
O jogador é escravo dos clubes? O torcedor virou consumidor? Venha conhecer e discutir esses assuntos e sobre a profissionalização da indústria do futebol.

ARTE
Os objetos que antes representavam nossa cultura tornaram-se produtos de mercado, formando a indústria cultural. A comercialização da música, da grande indústria fonográfica, mantém o seu padrão de negócio. Nele, prevalece o artista que se encaixa nas exigências da indústria tendo como resultado a reificação, ou seja, a alienação, no momento em que a característica única da produção do trabalho do artista é determinada através de alterações feitas pela gravadora.







Aldeias

Na aldeia local o tempo fluía ao ritmo das estações do ano, do plantio e da colheita, das efemérides do calendário. Na aldeia global, o tempo ganha ponteiros de minutos e segundos e corre tão surpreendentemente quanto um infarto.
Na aldeia local a paisagem, através da janela de casa, mudava a cada dez ou vinte anos.
Na aldeia global, ela se modifica, na janela eletrônica da TV, a cada dez ou vinte segundos.
Na aldeia local os rios estufavam de peixes e as águas límpidas asseguravam saúde.
Na aldeia global, os rios, entupidos de lixo, transbordam doenças e exalam mau cheiro.
Tudo se sabia nas vizinhanças na aldeia local. E pouca informação havia do que se passava além dos limites. Na aldeia global nada se sabe do vizinho de porta, mas fica-se a par de quase tudo que ocorre no mundo.
O sino da igreja da aldeia local mobilizava a comunidade para rezas e féretros, romarias e festas. Agora, são os indicadores financeiros que, na aldeia global, prenunciam a alegria ou a tristeza das pessoas.
Havia fé em Deus na aldeia local. Na aldeia global venera-se com fé e esperança a Bolsa de Valores.
Na aldeia local todos mantinham entre si relações de parentesco e afeto. Na aldeia global predominam relações de negócios e interesses. Os sábios eram ouvidos na aldeia local.
Na aldeia global os oráculos da mídia parecem não ter o que dizer ou falam o que muitos não entendem.
As pessoas se olhavam nos olhos ao se comunicarem...
...na aldeia local, na aldeia global a comunicação digital esconde rostos e camufla sentimentos.
“Amai-vos uns aos outros”, era o preceito que ecoava na aldeia local. Na aldeia global ressoa mais forte o
“armai-vos uns aos outros”.
Na aldeia local as vias públicas eram espaços de relações humanas, breves colóquios, flertes, rodas de discussões esportivas ou políticas. Na aldeia global, ruas e avenidas sustentam os pedestres, são palcos de violências e engendram,insegurança.
Na aldeia local a cultura autóctone lhe conferia a identidade.
Agora os enlatados mundializam o entretenimento medíocre da aldeia global.
Na aldeia local os utensílios eram feitos por artesãos e artistas.
Na aldeia global tudo é enfadonhamente igual e repetitivo, graças à produção em série da indústria.
Na aldeia local as vacas tinham nomes. Na aldeia global já não se distingue a carne de primeira da de terceira e um hambúrguer de pelancas prensadas faz o mesmo efeito no pão com gosto de isopor.
Na aldeia local os professores eram venerados. Na aldeia global são extorquidos pelos planos de saúde, humilhados pelo poder público e ignorados, pois as pessoas não dispõem de tempo senão para si mesmas.
Na aldeia local a vida abria espaço ao ócio. Agora o ócio é luxo e até o lazer é comercializado na aldeia global.
Na aldeia local os valores instauravam tradição. Na aldeia global os valores são meramente financeiros.
Na aldeia local viam-se as montanhas ou o mar. Agora, o horizonte é um quadro na parede.
Na aldeia local a noite era acolhedora. Na aldeia global, é assustadora.
Na aldeia local os pobres eram socorridos. Na aldeia global são excluídos.
Na aldeia local havia solidariedade. Na aldeia global reina a competitividade.
Na aldeia local Kant elaborou uma obra imprescindível. Na aldeia global internetiza-se a cultura em informações fragmentadas e o saber é tão sólido e duradouro quanto um sorvete.
Na aldeia local as pessoas descobriram sua vocação e sonhavam com uma profissão. Na aldeia global é uma benção ter um simples emprego.
Na aldeia local muitos se destacavam pelo que traziam dentro de si: valores, conhecimentos, crenças. Na aldeia global basta ostentar grifes e posses, malgrado a indigência espiritual.
Na aldeia local ninguém imaginava que, um dia, o mundo se transformaria, todo ele, numa aldeia global. Agora, a nova aldeia pode ser vítima de sua capacidade de ultrapassar tempo e espaço se não souber acrescer às inovações tecnológicas uma boa dose de humanismo. Há o risco de toda essa proximidade de seres e fatos ser apenas virtual. E na esfera do real aprofundar-se a solidão das pessoas e a sua distância em relação aos outros, à natureza, a Deus, a si mesmas.

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