terça-feira, 6 de julho de 2010

AULA

A Guerra Fria
Somadas as vítimas nos campos de batalha, a população civil afetada pelos bombardeios, a sub-alimentação, a repressão dos movimentos de resistência e as execuções nos campos de concentração, chegou-se a 50 milhões de pessoas mortas.
Grandes cidades foram destruídas, transportes e comunicação interrompidas com a destruição de pontes, rodovias e ferrovias.
Os Estados Unidos, apesar dos enormes gastos, cresceram industrialmente,expandiram o seu comércio e acumularam grande parte do ouro mundial.O socialismo expandiu-se na Europa e o mundo dividiu-se em dois blocos: o capitalista, liderado pelos Estados Unidos, e o socialista, liderado pela União Soviética.
A partir desse momento, ficaram bastante tensas as relações entre as duas grandes potências vencedoras da guerra, que passaram a disputar áreas de influência internacional.
A esse estado de tensão permanente, primeiro entre essas duas grandes potências e, logo depois, entre os blocos encabeçados por elas, chamou-se Guerra Fria. Esse período se estendeu até a década de 80 e caracterizou-se pela
corrida armamentista e pelo envolvimento em conflitos locais.A expressão “Guerra Fria” é atribuída ao comentarista político norte-americano Walter Lippmann, num artigo publicado em 1947: “A guerra fria. Um estudo da política exterior norte-americana”. Mais tarde, essa expressão passou a ser utilizada para denominar o confronto político, econômico e ideológico entre os Estados Unidos, capitalista, e a União Soviética, comunista.

Os Estados Unidos
A produção industrial dos Estados Unidos duplicou durante a Segunda Guerra e, após seu término, o planejamento dessa produção garantia sua diversificação e os preços dos produtos. Inclusive, muitas indústrias bélicas passaram a
produzir outros bens, criando novos empregos.Tanto a procura interna quanto a externa aumentaram. As nações que estavam com suas economias comprometidas pela guerra compravam grande quantidade de produtos norte-americanos. A força econômica dos Estados Unidos fez com que ele controlasse o destino de vários países.
Entretanto, o governo norte-americano estava insatisfeito com a pretensão do governo soviético de dominar novas regiões, impondo o comunismo no Leste europeu.
lniciava-se um novo tipo de guerra, a Guerra Fria, e o seu marco inicial o ano de 1947, quando houve o lançamento da Doutrina Truman. O presidente norte-americano Harry Truman fez um discurso no Congresso no qual anunciou
diretrizes para a política externa. Temendo a vitória dos comunistas, afirmou sua disposição em ajudar militar e financeiramente a Grécia e a Turquia, a fim de mantê-las na esfera capitalista. Devido à expansão do comunismo na Europa,adotou-se uma política de auxílio a qualquer país que tivesse a sua integridade ameaçada, tanto interna quanto externamente.
Ainda no mesmo ano, seguindo as linhas estabelecidas pela Doutrina Truman,o Secretário de Estado norte-americano, George C. Marshall, lançou um novo programa econômico, conhecido como Plano Marshall. Segundo ele,seria dada ajuda militar e técnica aos países da Europa Ocidental arrasados pela guerra, inclusive à Alemanha e à Itália. Visava fortalecê-los para que resistissem aos possíveis ataques soviéticos e, especialmente,conter o avanço dos partidos comunistas europeus.Posteriormente, o auxílio dos Estados Unidos foi dirigido para os países que conseguiram sua independência.O Japão, a China Nacionalista e alguns Estados da África também foram beneficiados com a ajuda norte-americana.Em 1949, com o objetivo de proteger a Europa Ocidental da expansão
comunista foi organizada uma aliança militar, a OTAN - Organização do Tratado do Atlântico Norte. Sob a liderança dos Estados Unidos, era formada pelo Canadá, Reino Unido, França, Bélgica, Holanda,Luxemburgo, Dinamarca, Noruega, Islândia, Portugal e Itália. A Grécia e a Turquia entraram para a organização em 1952 e, posteriormente, a Alemanha Ocidental.


A União Soviética

A Segunda Guerra Mundial também levou a União Soviética à condição de grande potência mundial. Mostrou ao mundo o seu poderio militar e contribuiu decisivamente para a derrota do nazi-fascismo.Contava com a apoio de vários países do Leste europeu, que viviam sob o regime socialista - Polônia, Techoslováquia, Hungria, Romênia, Iugoslávia, Bulgária,Albânia e, mais tarde, a Alemanha Oriental. Assim, já existia um bloco socialista sob sua liderança. Em 1947, a União Soviética criou o Kominform, um organismo que reunia todos os partidos comunistas do Leste europeu, para uma ação conjunta, com o objetivo de expandir a revolução socialista. Em 1949,criou também o Comecom - Conselho de Assistência Mútua -, com sede em Moscou, cujo objetivo era a ajuda mútua para o desenvolvimento dos países membros.Em maio de 1955, como resposta à formação da OTAN, a União Soviética incentivou a formação de uma aliança militar entre os países do bloco comunista da Europa, que resultou no Tratado de Amizade, Cooperação e Assistência Mútua, mais conhecido como Pacto de Varsóvia.Empenhadas em manter as áreas de influência que haviam conquistado e em adquirir outras, as disputas entre as duas superpotências continuavam e, em certos momentos, resultavam em confrontos nas regiões pretendidas. Dentre os conflitos da Guerra Fria temos a Guerra da Coréia e a Guerra do Vietnã.
No Brasil, a Guerra Fria chegou através do anticomunismo - pregado pelos Estados Unidos na forma da Doutrina da Segurança Nacional e acirrado depois que Cuba se tornou socialista - e foi a responsável pela implantação, em 1964,da Ditadura Militar no país.

As Ditaduras na América Latina
Os anos 60 abriram-se como um pesadelo para a burguesia latino-americana. Sob o impacto do castrismo, as universidades entraram em ebulição, atingindo também os secundaristas; alguns setores da Igreja evoluíram para posições de esquerda; os partidos reformistas enfrentaram dissidências que exigiram maior radicalidade no enfrentamento dos problemas; o movimento operário politizou-se rapidamente e a agitação ganhou as zonas rurais. Assim, uma “crise de hegemonia” sem precedentes atingia a burguesia, e a ordem capitalista parecia estar à beira do colapso total.
Foi nesse quadro de grande gravidade para a burguesia que se produziu, no Brasil,o golpe de 64, instaurando o regime militar.
A ditadura militar brasileira apresentou-se,então, como modelo político (e também econômico) e, enquanto tal, uma
resposta da burguesia à Revolução Cubana. Por essa razão, o Brasil serviu de inspiração não só para a Argentina, mas também para o Uruguai e o Chile.

Golpe e ditadura (1964-1968)
O golpe militar de 64 inaugurou uma nova era na história do Brasil e, em certa medida, também para a América Latina. Foi, até certo ponto, a mais contundente resposta que a direita deu à Revolução Cubana, em cujo rastro cresceu e se radicalizou a mobilização popular na América Latina.
Logo após o golpe, ocorrido em 1º de abril de 1964, os militares editaram o Ato Institucional nº 1, declarando a formação de um Comando Revolucionário que se sobrepunha à própria Constituição. Estabelecido o regime de exceção, o general Castelo Branco foi empossado como presidente.
Quanto aos civis, que não apenas respaldaram o golpe, mas o exigiram, o poder lhes seria devolvido tão logo a vida política do país fosse depurada dos elementos indesejáveis. Porém, os militares da “linha dura”, cujo porta-voz era
o ministro da Guerra, general Artur da Costa e Silva, trabalhavam contra os retorno dos civis. Pressionado por esse grupo, Castelo Branco viu-se forçado a editar o Ato Institucional nº 2 (1965), que dissolveu os partidos e implantou a
eleição indireta para a presidência. O presidente seria, doravante, eleito pelo Congresso Nacional. Costa e Silva, nome imposto pela linha dura, assumiu em março de 1967, como sucessor de Castelo Branco Em dezembro de 1968, os militares reagiram aos protestos populares, implantando o Ato Institucional nº 5 (AI-5), que, finalmente, instaurou sem disfarces a ditadura militar. Com Emilio Garrastazu Médici (1969-1974), consolidaram-se o regime militar obscurantista e o terrorismo de Estado.O AI-5 sujeitou o Legislativo e o Judiciário ao poder Executivo e este às Forças Armadas. Além disso, criou condições para a total liberdade de ação dos órgãos repressivos.
Com esse fechamento político, os grupos de esquerda, sem alternativas,lançaram-se à luta armada, sendo tragicamente derrotados.

O modelo econômico
A ditadura militar brasileira remodelou a economia e a sociedade e, quando o poder finalmente retornou aos civis, depois de vinte anos, o Brasil não era mais o mesmo.Reprimindo brutalmente os agentes da “subversão”, os militares instalaram,mediante o terror, um clima de estabilidade favorável ao ingresso do capital estrangeiro, acelerando-se, assim, o processo de internacionalização do mercado brasileiro.
O novo modelo econômico concretizou-se nos anos do “milagre econômico”(1968-1973), sob comando do Ministro da Fazenda Delfim Neto. Foi duranteesse período que a economia brasileira passou a ter como carro-chefe as indústrias de bens duráveis (automóveis, geladeiras etc.). O modelo econômico tinha como característica a alta concentração da renda, o que promoveu uma grande distorção do mercado. Apenas uma minoria altamente remunerada apresentava-se como consumidora desses bens, de elevado custo unitário. Por trás dessa expansão econômica, entretanto, o fantasma da inflação assombrava junto com a inquietante elevação da divida externa.
A crise econômica explicitou-se, de maneira clara, a partir de 1974, com o choque do petróleo, exatamente quando chegava ao poder o quarto general presidente,Ernesto Geisel.
Paralelamente, crescia o prestígio da oposição, o MDB, cujo êxito eleitoral foi expressivo em 1974. Dez anos depois, a ditadura militar terminava, melancolicamente,com o fim do mandato de João Batista Figueiredo (1979-1985).

Argentina: Instabilidade e Ditadura
Com a queda de Perón, em 1955, o poder foi entregue ao general Pedro Eugenio Aramburu (1955-58), ao qual se seguiu o governo civil de Arturo Frondizi (1958-62), derrubado por um golpe militar. O presidente provisório, José
Maria Guido (1962-63), foi sucedido por Arturo Ilha (1963-66), também deposto por um golpe militar, chefiado do pelo general Juan Carlos Ongania (1963-1970). Ongania governou como ditador e foi deposto em 1970, sendo substituído pelo general Roberto Marcelo Levingston, deposto, por sua vez, pelo general Agustin Lanusse em 1971. Lanusse convocou eleições em 1973, quando foi eleito o peronista Héctor Cámpora.Perón, que se encontrava exilado na Espanha, finalmente retornou em 20 de junho daquele ano. Cámpora renunciou a seu favor e uma nova eleição foi
convocada. Perón elegeu-se, tendo como vice sua segunda mulher, Maria Estela Martínez Perón, conhecida como lsabelita.Em julho de 1974, Perón morreu e Isabelita assumiu a presidência, na qual permaneceu até 1976, quando foi destituída por um novo golpe militar, liderado pelo general Jorge Rafael Videla (1976-1981).
O clima opressivo e o amordaçamento da sociedade Argentina pelo general ditador Ongania provocou, em maio de 69, uma explosão social espontânea em Córdoba - capital da província do mesmo nome. Os operários, insatisfeitos com a inflação e os baixos salários, desencadearam um movimento grevista que ganhou a adesão dos estudantes, transformando-se num imenso movimento de protesto contra a ditadura. Durante três dias (de 29 a 31 de maio) o povo praticamente tomou a cidade - e somente a intervenção militar pôs fim à situação.Essa explosão, conhecida como Cordobazo, teve dois efeitos: primeiro, derrubou Ongania e, segundo, resultou na eleição de Cámpora (1973). Contudo,abriu também as portas para as organizações guerrilheiras - Exército Revolucionário do Povo (ERP) e Montoneros. O governo de Isabelita (1974-1976), caracterizado pela crescente deterioração da autoridade do Estado, criou condições para uma nova intervenção militar em 1976, com o general Videla à frente.

À volta à ditadura militar (1976-1983)
A nova ditadura militar enfrentou a guerrilha urbana e promoveu o endurecimento do regime que deu origem ao terrorismo de Estado.Já em 1977, entretanto, teve início, em Buenos Aires, um movimento que ficou mundialmente conhecido: o das mães da Plaza de Mayo, que tornou públicos os “desaparecimentos” (assassinatos) de opositores do regime militar pelos órgãos de repressão.
No início dos anos 80, os problemas econômicos acumulados nos anos anteriores,como inflação e dívida externa, debilitaram gradualmente a ditadura militar. O último general-ditador, Galtieri, procurou desviar a atenção dos argentinoscom a irresponsável aventura da guerra das Malvinas, não contando que a primeira-ministra britânica, Margareth Thatcher, fosse capaz de deslocar seu poderio naval e esmagar o exército argentino.
A derrota tornou insustentável o prosseguimento da ditadura militar. Esse erro militar foi que levou Raúl Alfonsín à presidência da Argentina - o primeiro governante,desde 1955, a cumprir integralmente o mandato conferido nas urnas.

• Uruguai: a Ditadura Civil-Militar (1967-1984)
• Chile: de Allende a Pinochet (1970-1989)
• O governo da Unidade Popular (1970-1973)
• A ditadura militar de Pinochet (1973-1989)

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