terça-feira, 6 de julho de 2010

AULA

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo
Brasil é abandonado pela falta de riquezas
O índio brasileiro não conhecia a técnica da metalurgia e nem produzia riquezas. Entre 1501 e 1502, Portugal envia, para o Brasil, uma expedição com a finalidade de explorar e reconhecer o litoral brasileiro e aqui não encontra nenhuma riqueza além do pau brasil, madeira tintorial conhecida dos europeus desde a Idade Média- uma variedade de qualidade inferior à encontrada no Brasil, nativa do Oriente.
Essa “miséria” do Brasil fez com que Portugal não tivesse o seu interesse despertado para a nova terra. Afinal, o comércio de especiarias com as Índias dava-lhe excelentes lucros.
A coroa portuguesa só não abandonou o Brasil porque a posse dessas terras não lhe era garantida. O Tratado de Tordesilhas, estabelecido entre Portugal e Espanha, não era reconhecido por outros países. Alegavam, eles, que não conheciam nenhum testamento de Adão e Eva que fazia de Portugal e Espanha donos do mundo. Para esses países, as novas terras seriam de quem as ocupasse.
E os franceses, em 1504, começaram a contrabandear o pau-brasil das costas brasileiras,ameaçando a posse portuguesa.
O direito de exploração do pau brasil foi comprado por comerciantes portugueses,liderados por Fernão de Noronha, que, em 1503, montou uma expedição para a extração do produto e fez o seu primeiro carregamento. A exploração do pau-brasil contou com a ajuda dos índios, encantados com as novidades trazidas pelos portugueses, principalmente o machado, a serra e a faca de ferro. Os índios, em troca desses objetos e de outros de pouco valor, forneciam a mão de obra de que os portugueses necessitavam para o corte e o carregamento do pau-brasil. E os índios não se importavam com a retirada do pau-brasil porque isso não interferia na sua vida. A retirada de uma espécie de árvore, abundante na mata atlântica, não alterava a mata que fornecia aos índios aquilo de que eles precisavam para a sua sobrevivência. Os franceses, que importavam o pau-brasil do Oriente e que passaram a freqüentar o litoral brasileiro, também contaram com o trabalho dos índios e,para isso, se aliaram aos tupinambás, arquiinimigos dos tupiniquins, aliados dos portugueses.Do contato entre os franceses e os tupinambás, Jean de Lery registrou um antológico diálogo que demonstra a diferença entre a cultura indígena e a cultura européia. Leia um trecho da conversa:
“Uma vez, um velho perguntou-me: Por que vindes vós outros, maírs e perós, buscar lenha de tão longe para vos aquecer? Não tendes madeira em vossa terra? Respondi que tínhamos muitas, mas não daquela qualidade, e que não a queimávamos, como ele supunha, mas dela extraíamos tinta para tingir...
Retrucou o velho imediatamente: - E por ventura precisam de muito? –
Sim, respondi-lhe, pois em nosso país existem negociantes que possuem mais panos, facas, tesouras, espelhos e outras mercadorias do que poderias imaginar,e um só deles compra todo o pau-brasil com que muitos navios voltam carregados.
- Ah! – retrucou o selvagem – tu me contas maravilhas – acrescentando depois de bem compreender o que eu lhe dissera -, mas esse homem tão rico de que me falas não morre? – Sim, disse eu, morre como os outros.
... Perguntou-me de novo: - E quando (o negociante) morre, para quem fica o que deixa? – Para os filhos, se os têm – respondi. – Na falta destes, para irmãos ou parentes mais próximos.
- Na verdade – continuou o velho, - ... agora vejo que vós outros maírs sois grandes loucos, pois atravessais o mar e sofreis grandes incômodos... e trabalham tanto para acumular riqueza para vossos filhos ou para aqueles que virão depois de vós! Não será a terra que vos nutriu suficiente para alimentá-los também? Temos pais, mães e filhos a quem amamos; mas estamos certos de que, depois de nossa morte, a terra que nos nutriu também os
nutrirá. Por isso, descansamos sem maiores preocupações.”
A permanência dos franceses no litoral brasileiro exigiu do governo português a realização de “expedições guarda-costas” entre 1516 e 1519 e entre 1526 e 1528. Cristóvão Jacques, comandante dessas expedições, verificando a gravidade do problema, sugeriu ao rei de Portugal o povoamento da colônia. Como, nesse momento, o comércio com as Índias já não dava a Portugal os mesmos lucros do início do século, o rei aceitou a sugestão e, em 1530, enviou ao Brasil uma expedição, que marcou o fim do ciclo do pau Brasil e o início da
colonização efetiva do Brasil.

Nenhum comentário:

Postar um comentário